A eleição das eleições....

Após a Copa das Copas, o Brasil teve a Eleição das Eleições. A impressão que se tem é de que as pessoas estão mais engajadas e mais participativas. Não sei se esta impressão se deve aos seus amigos estarem quatro anos mais velhos do que na última eleição em 2010 (e portanto mais participativos), ou se a participação nas redes sociais está maior (e por isso essa “falsa impressão”) ou se, de fato, as pessoas estão mais participativas.

Sem muitos dados para afirmar nada, acredito na última opção, ou seja, as pessoas estão de fato mais participativas. Acredito nisso porque, nem os mais criativos, poderiam imaginar as surpresas que esta eleição proporcionaria e as reviravoltas que já vimos nela.

O curso esperado
Tudo estava indo dentro do esperado, ainda sob a ressaca da Copa do Mundo. Dilma favorita, Aécio em segundo lugar e Eduardo Campos na terceira posição, quando no fatídico 13 de agosto, cai um avião na cidade de Santos com a suspeita de estar presente o jovem e habilidoso político Eduardo Campos, candidato à presidência pelo PSB. A morte se confirmou em menos de uma hora e mesmo não estando mais em vida, o presidenciável que já contribuíra muito para o país, mudaria a história da campanha e também a história do Brasil.

Naquele momento, a pesquisa Datafolha mostrava uma tendência de queda da presidente Dilma, a ascensão de Aécio e estabilidade de Campos. Mais do que isso, a pesquisa mostrava que a diferença entre Dilma e ambos os candidatos para o segundo turno caía drasticamente. No caso de Aécio de 27% para 4% em de fevereiro a julho e entre Dilma e Campos de 22% para 7% também nestes cinco meses. Ainda sob a incerteza do momento, o destino resolveu intervir naquele triste 13 de agosto...

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De candidata sem partido à favorita na corrida presidencial
Com a morte prematura de Eduardo Campos, o PSB optou por lançar a então candidata à vice, Marina Silva, como candidata ao planalto pelo PSB. Candidata esta que, embora tenha tido uma votação expressiva nas eleições de 2010 com 19 milhões de votos - o que equivalia a 19,3% dos votos - no ano de 2013 sequer tinha um partido. Mas o acaso a fez a ex professora de história sair de "uma candidata sem partido" para favorita pela cadeira do planalto.

Nas duas pesquisas seguintes à morte de Eduardo Campos, Marina passou de 21% para 34% nas intenções de voto para o primeiro turno e abriu 10 pontos de vantagem em relação à Dilma na pesquisa de intenção para o segundo turno. Aécio, por sua vez passou de protagonista da oposição para um papel coadjuvante. Houve aqueles que chegaram inclusive a sugeri-lo que deixasse a candidatura em favor do apoio à Marina, que, a contar pelas pesquisas de opinião, já estava praticamente garantida pela população como próxima presidente em 2015.

Na mira dos adversários e o começo da virada
Mas a campanha continuou... Marina que antes era vista como ameaça (mas ainda não como a principal ameaça) se viu na mira dos adversários e passou a sofrer inúmeros ataques de ambos os lados. Em queda acentuada, sua diferença contra Aécio começou a diminuir. A cada dia, Marina se distanciava de Dilma e se aproximava de Aécio, dando esperanças ao candidato do PSDB.

O resultado decisivo, porém, só aconteceria nesta última semana. A virada de Aécio parece ter vindo após o debate na Globo em 2 de outubro. Turbinado por um ânimo extra após a pesquisa Datafolha daquele dia ter sugerido, pela primeira vez, empate técnico entre Aécio e Marina, ele passou a ter um tom mais firme e agressivo. Considerado por muitos como vencedor do debate global, ele mudou a diferença de pontos entre ele e Marina em 10 pontos em apenas uma semana.

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Uma nova eleição
A partir de agora começa outra eleição, o segundo turno a ser definido em 26 de outubro. É uma nova eleição basicamente por três motivos: primeiramente, neste segundo turno, Aécio e Dilma passam a ter o mesmo tempo no horário político, o que pode ser de grande diferença a favor de Aécio. Em segundo lugar a tese de que os votos de Aécio iriam quase que integralmente para Marina, mas o contrário não é verdadeiro, deve ser confirmada. Isso porque os eleitores que não possuem empatia por Dilma tendem a se unir em torno de um único nome da oposição no segundo turno. Além disso, a forte rejeição atual ao PT pode também unir eleitores em torno de Aécio. Por último, o apoio de Marina sem dúvida vai ser um divisor de águas nessa etapa. Por mais estranho que possa parecer, a terceira colocada na corrida presidencial tem o poder de decidir esta eleição!

Portanto, diante de tantas reviravoltas, parece que muitas surpresas ainda estão por vir... A presidente Dilma tem a máquina na mão, mais recursos e alcance no país. Aécio tem nele a união dos eleitores que rejeitam o governo do PT e o fato de estar em extrema ascensão. Independentemente do resultado, serão 21 dias que vão mudar o curso do país.

Leonardo de Siqueira Lima

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Sobre Leonardo Siqueira 56 Artigos
Exilado em Barcelona - Espanha Saído das camadas baixas da população brasileira, com muito esforço (e uma dívida imensa) conseguiu se formar na tão sonhada Escola de Economia de São Paulo da FGV. Não satisfeito com sua dívida da FGV resolveu fazer mais uma para cursar o Mestrado em Economia na Barcelona Graduate School of Economics, e fez o maior crowdfunding de educação da história do país. Nos tempos vagos tem o estranho hábito de assistir discursos de políticos como Collor, Barack Obama, John Kennedy e também do pastor Silas Malafaia, pois segundo ele, “esses caras vendem areia na praia”. O máximo que conseguiu com essas técnicas de persuasão, entretanto, foi uma cobertura extra no McDonald's. No ensino médio foi monitor de matemática e entrou pra história como primeiro monitor a ficar de “recuperação” com o restante da sala, mostrando desde cedo seu espírito de equipe. Tirando esses percalços da vida, possui diversos artigos nos principais veículos como: Valor Econômico, Folha de São Paulo, G1, UOL etc.

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