Ainda não batemos no fundo do poço: A queda livre da indústria e do emprego

A indústria em seus anos dourados (final dos anos 70/começo dos 80) já chegou a ter um peso equivalente a 25% do PIB, mas agora amarga percentual abaixo dos 15%. Na balança comercial, do lado da exportação, os bens manufaturados que antes compunham 55% das exportações, agora se tornaram coadjuvantes, com apenas 35%. Não importa qual a ótica da análise, todas mostram a mesma visão: a indústria brasileira está em processo de queda livre, com indicadores de produção industrial com níveis próximos ou menores aos da crise de 2008. O PIB industrial está previsto para recuar 6% em 2015, enquanto o PIB da indústria de transformação faz um mergulho bem mais profundo, de 9,5%. Não resta dúvidas que na atual depressão brasileira é a indústria o setor que mais sangra.

Fonte: FIESP - Elaboração Própria
Fonte: FIESP - Elaboração Própria

 

A ideia deste curto artigo é mostrar o quão fundo está a indústria nacional e quais os efeitos desta queda sobre o emprego nacional, com ênfase na indústria de transformação. A conclusão, já adiantando, é a que ainda não chegamos ao chão.

Pela métrica do inverso da produtividade, já produzimos a mesma quantidade atual com 1,7 milhão a menos de trabalhadores, em 2006. O que indica que ainda existe imenso espaço para piora, uma vez que já produzimos a mesma quantidade com um número menor de trabalhadores. Em um setor que emprega hoje 7,8 milhões de trabalhadores.

Fonte: IBGE e MTE - Elaboração Própria
Fonte: IBGE e MTE - Elaboração Própria

Caso essas vagas sejam de fato fechadas e levando em consideração a estabilidade no estoque de vagas nos demais setores da economia e a taxa de participação da força de trabalho constante em 61,4%, o desemprego[1] da economia passaria de 8,8% para 10,57%[2]. Outra trágica conclusão exibida pelo gráfico é o número de empregados que aumentou [e muito], enquanto o nível de produção cresceu a taxas bem menores.

E como está a cabeça do empresário industrial? O índice de confiança está menor ou igual ao da crise e o índice de expectativa é o mais baixo da história e parece que está indo ladeira abaixo também. Portanto, sem recuperação a vista.

Fonte: CNI - Elaboração Própria
Fonte: CNI - Elaboração Própria

Como já foi dito e mostrado com os dados, não resta dúvida que a indústria é o setor da economia que mais tem sangrado em uma hemorragia difícil de ser contida, mas uma hora o sangue vai acabar. Existem duas formas possíveis: a doente sangra até a morte e amarga uma profunda depressão econômica, ou se inicia um verdadeiro esforço de mudança estrutural na economia brasileira. Até lá enquanto o sangue escorrer, só nos resta torcer pelo melhor.

Notas:

[1] Dados da PNAD contínua (IBGE).

[2] A análise aqui é puramente estática e não dinâmica, logo nada pode-se afirmar sobre a trajetória temporal das variáveis macroeconômicas aqui discutidas.

victor

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Sobre Victor Candido 44 Artigos
Mestrando em economia pela gloriosa Universidade de Brasília (UnB). Já pesquisou nos campos de economia ecológica, história econômica e política monetária, tem artigos publicados na Folha de São Paulo, Gazeta do Povo, UOL e revista de Economia da Faap. Atualmente é pesquisador assistente do CPDOC (O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da FGV-RJ. Já trabalhou no mercado financeiro na área de operações e pesquisa macroeconômica. Graduou-se em economia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG).

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