Ciro e suas mentiras sobre swap cambial

No dia 16 de junho deste ano, o candidato à presidência Ciro Gomes publicou um vídeo, com a seguinte legenda: “A farra do dólar. O que está acontecendo com o câmbio, Ciro já denunciava dois anos atrás.”

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O vídeo, curtinho, dá a entender que Ciro Gomes está falando sobre as operações de swap que o Banco Central praticou no ano de 2016, e que teria dado um prejuízo de R$ 112 bi ao Brasil e a todos nós, “com o nosso dinheiro, que está faltando pra tudo”.

No entanto, há alguns erros nesse vídeo: primeiramente, ele está falando do ano de 2015, em que o ano começou com a taxa de câmbio próximo aos 2,60 e chegou ao patamar R$ 4,19 em setembro do mesmo ano. Na época, o BACEN fez operações de swap cambial, para conter a escalada da taxa de câmbio.

Curiosamente, o candidato parece se esquecer do que levou a toda essa instabilidade no mercado de câmbio, mas podemos relembrar de alguns fatos.

Em 2014, a então presidente Dilma Roussef se reelegeu, e logo no início do seu segundo mandato, tentou implementar um ajuste fiscal, contrariando tudo o que dizia em sua campanha eleitoral. O cenário econômico brasileiro era instável, em 2014 já havia uma tendência de queda no PIB, que se agravou em 2015.

Ainda no ano de 2015, diversos pedidos de impeachment da então presidente Dilma, por crime de responsabilidade, foram protocolados na Câmara, o que aumentava ainda mais a instabilidade econômica e, agora, política. Soma-se a isso, a situação da maior empresa estatal do Brasil, a Petrobrás, que sofreu diversas perdas, tendo sido descoberto na época, de que a empresa tivera sido saqueada por um dos maiores esquemas de corrupção da história do país.

Tudo isso, aliado a um cenário externo desfavorável ao Brasil, culminou com a escalada do dólar, que já em março de 2015 ultrapassara a casa do R$ 3,20. O Banco Central passou a intervir diariamente, mas nada do que fez foi suficiente para manter a taxa de câmbio baixa, que chegaria ao seu ápice em setembro, e tocaria quase R$ 4,20, novamente, no início de 2016.

O Banco Central não fazer operações de swap porque quer agradar um ou outro agente econômico. A ideia dessas operações é diminuir a volatilidade, e oferecer proteção aos agentes que utilizam a taxa de câmbio diariamente (importadores, exportadores, isto é, basicamente todos nós, direta ou indiretamente).

Em 2015, o prejuízo com os swaps foi de R$ 90 bi, e não os R$ 112 bi informado por Ciro Gomes. A outra inverdade proferida por Ciro ocorre ao falar sobre esse prejuízo com  “dinheiro meu, seu, nosso, que tá faltando pra tudo”. O que ele quer dizer com “está faltando para tudo”? Esse prejuízo é do Banco Central - e no agregado, o Bacen teve resultado positivo, devido a valorização das reservas bem como das operações com moeda local, segundo o próprio balanço do BACEN.

De qualquer modo, esse prejuízo não é coberto tirando dinheiro das despesas correntes, como saúde, educação, segurança, como ele parece querer dizer com “está faltando dinheiro para tudo”. Isso é uma despesa de capital e, no máximo, vai elevar a dívida pública. No entanto, segundo levantamento, o custo com swaps cambiais em 10 anos foi de R$ 25 bi, bem menor que o que o Brasil pagou de juros no mesmo período.

Qual seria a sugestão de Ciro, para diminuir a volatilidade da taxa de câmbio? Não sabemos. Será que ele não sabe o impacto de (1) a desvalorização cambial na inflação e (2) a volatilidade da taxa de câmbio para todos os agentes econômicos, direta e indiretamente?

Esse vídeo é apenas mais uma ocasião que mostra o candidato falando mentiras, manipulando dados, de forma a criar indignação no povo, sem que este conheça toda a verdade. Estamos de olho, Ciro!

 

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