A conta da farra do BNDES

Economia em Pílula - uma dose rápida de economia no seu dia | por Leonardo Palhuca

Não é segredo para ninguém que o BNDES foi, no mínimo, usado como instrumento para promover uma política de investimentos que fracassou.

Empresas e setores escolhidos a dedo, com pouquíssimo embasamento técnico e econômico, receberam vultosos empréstimos subsidiados na tentativa de aumentarmos o nosso nível de investimento. Não aumentamos o investimento permanentemente e temos a conta de subsídio para pagar.

E qual o tamanho da conta? O gráfico abaixo indica o Valor Presente Líquido (VPL, ou aquilo que custaria hoje) dos subsídios que o BNDES recebeu da União em empréstimos até 2060, tanto aquele explícito, que entra como despesa primária no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), quanto aquele implícito, que se refere à diferença entre o custo que o governo toma dinheiro emprestado e a quanto de juros o BNDES empresta.

A conta é alta: seu valor presente atual é da ordem de R$ 200 bilhões, que pagaremos em “suaves” prestações até 2060. O tamanho do rombo fiscal de 2016? R$ 170 bilhões, a título de comparação.

Fonte: Relatório de Subsídios STN [1]. Elaboração própria.
Fonte: Relatório de Subsídios STN [1]. Elaboração própria.
palhuca

 

 

 

 

 

Notas:

[1] http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/526904/Relat%C3%B3rio+de+Subs%C3%ADdios+6o+Bimestre+de+2015/a8b98a3a-5050-43cd-9c49-bbdc4841fe49

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Sobre Leonardo Palhuca 100 Artigos
Mestre em Economia pela Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (apóstolo de Hayek). Após a graduação trabalhou no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa tentando fazer as empresas brasileiras se comportarem. Em vão! Também foi pesquisador o Walter Eucken Institute onde tentou fazer os estados alemães controlarem suas dívidas. Em vão! De quebra, sofreu lavagem cerebral da doutrina do ordoliberalismo para retornar ao Brasil e implantar ideias pouco ortodoxas como: respeito às leis que regem as atividades econômicas, liberdades individuais e pouca intervenção direta do estado na economia (e rigor fiscal, adicionalmente). Interessado em macroeconomia - política monetária e política fiscal - e no buraco negro das instituições.