Desafios e perspectivas para 2017

2017 Calender on the red cubes

O país atravessa uma das piores crises de sua história devido aos erros de política econômica, à deterioração da economia internacional, ao cenário político e institucional de incerteza e à tendência de crescimento do gasto público em relação ao PIB ao longo dos quase últimos 30 anos.

As políticas de estímulo à demanda, entre 2010 e 2014, levaram ao crescimento do déficit em transações correntes, da deterioração das contas públicas, além do aumento da inflação. A crise internacional impactou negativamente o preço de várias commodities, reduzindo as receitas externas e afetando, além das receitas do governo, setores importantes da economia brasileira. O cenário político levou a um maior clima de incerteza e dúvidas em relação a uma agenda que possa reverter o cenário de deterioração econômica, além de desviar esforços para conter uma crise maior ao invés de focá-los nas medidas para tirar o país da crise. O crescimento do governo com redução da capacidade de investimento público levou a um estrangulamento do setor privado pela precária infraestrutura e pelo peso excessivo de impostos e burocracia, sem mencionar o sistema tributário ineficiente e complexo.

A troca de governo trouxe certo alento para os agentes privados, com sensível melhora das expectativas em diversos setores. No entanto, a incerteza que ronda o atual governo em decorrência dos escândalos de corrupção traz dúvidas sobre a manutenção de uma agenda que possa colocar o país em uma trajetória mais positva, além de minar a força política que é necessária para a implementação de reformas que, apesar de impopulares, são fundamentais. Como consequência, as expectativas têm começado a retroceder tanto para empresários quanto para consumidores antes mesmo da retomada da economia.

Por outro lado, é possível notar um movimento importante de mudanças positivas iniciado mesmo desde a posse de  Levy na Fazenda, quando algumas distorções foram corrigidas, como o congelamento dos preços administrados e do câmbio, a contabilidade criativa, além dos esforços inciais na tentativa de ajuste fiscal. Com a nova equipe econômica, comandada por Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn, esse movimento se intensificou. A transparência das contas públicas e da verdadeira intenção em relação às políticas econômicas têm aumentando, a inflação entrou em uma trajetória de queda e a agenda de reformas importantes voltou ao centro do debate.

Com a queda da inflação, é possível entrar em uma trajetória sustentável de queda dos juros, sendo este um elemento fundamental para melhorar a situação fiscal e estimular os investimentos produtivos. A PEC do teto foi aprovada e a possibilidade de se avançar em uma importante reforma previdenciária e trabalhista é crucial para que o país possa estabilizar a dívida pública e o tamanho do setor público em relação ao PIB, melhorando os fundamentos da economia brasileira e, dessa forma, atraindo investimentos produtivos domésticos e estrangeiros.

Em suma, vejo uma mudança muito positiva de trajetória, com possibilidades de retomada do crescimento a partir de 2017. No entanto, as reformas prospostas são apenas os primeiros passos para que o país possa se desenvolver mais rapidamente e de forma sustentável. Adicionalmente, as incertezas políticas decorrentes dos escândalos de corrupção têm um papel crucial na retomada, visto que é a principal fonte de instabilidade atualmente. Não podemos recuar nas investigações e punições, que são elementos fundamentais para o desenvolvimento de longo prazo. Caso a manutenção do atual governo se torne insustentável, é preciso pensar em formas de transição suave, com manutenção das reformas, para que a economia se recupere a partir de 2017.

 

Luciano Nakabashi,
É doutor em economia, professor da FEA-RP/USP e pesquisador do CEPER/FUNDACE.

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