Economia, mais do que uma coleção de verdades

Para este Dia dos Pais, que também é o Dia do Economista (13/08), o Terraço resgatou trechos de um discurso feito anos atrás a alguns recém formados e pais orgulhosos, que também se tornavam um pouquinho economistas aquele dia.

"Economia é uma ciência humana. Como tal, não é melhor ou pior do que a Física, ou a Biologia; é apenas obrigada, por força de seu objeto, a empregar métodos distintos.

A Física pode se basear em explicações causais: uma força aplicada sobre um corpo o faz mover; ou os meios diferentes em que a luz passa alteram sua velocidade.

A Biologia pode se amparar em explicações funcionais: determinadas características de certa espécie se perpetuam porque aumentam as chances de cada indivíduo com estas características passar adiante os genes que as carregam.

Já a Economia, como ciência humana, não pode se amparar neste tipo de explicações. A ela cabe, assim como nas demais ciências sociais, se amparar na busca dos motivos que guiam a ação humana. A explicação adequada para este caso é a explicação intencional.

(...) Há custos, porém. Para lidar com esta ficção vocês foram expostos a técnicas razoavelmente sofisticadas, tanto no campo matemático quanto estatístico. Cálculo diferencial, álgebra linear, métodos de máxima verossimilhança, propriedades assintóticas de estimadores, otimização sujeita a restrições, etc. representam uma amostra modesta do tipo de tortura a que vocês foram submetidos, com maior ou menor grau de sucesso (e, posso dizer, vocês aprenderam muito mais do que eu aprendi na minha graduação).

(...) Por mais que não haja respostas definitivas, a ciência que vocês aprenderam nestes últimos anos é um instrumento poderoso na busca de verdades, ainda que sejam “verdades provisórias”, válidas até nova evidência e novos desenvolvimentos teóricos se mostrem mais adequados para lidar com a realidade.

Posto de outra forma, Economia não é uma ciência que lhes dará certezas. Mas lhes oferece uma ferramenta adequada para explorar o mundo, formular hipóteses, testá-las contra a realidade e, com base nisto, formular políticas que possam endereçar nossos problemas.

Não é um caminho fácil. As respostas não estão num livro empoeirado na biblioteca da FEA. As respostas virão como resultado da aplicação dos métodos que vocês aprenderam nestes anos. Posto de outra forma, Economia, mais que uma coleção de verdades, é um método para resolver problemas."

Discurso de Alexandre Schwartsman, Formatura FEA USP (mar/2015).

Sugestão da nossa editora Daniele Chiavenato, uma das formandas daquela noite.

O discurso completo pode ser visto aqui: http://maovisivel.blogspot.be/2015/03/discurso-formatura-fea-11marco2015.html

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Sobre Daniele Chiavenato 8 Artigos
Formada em Economia pela FEA-USP, tem passagem pelas áreas de macro e microeconomia aplicada em consultorias econômicas do país. Querendo ser diplomata, acabou no curso de economia, onde se apaixonou por temas relacionados à avaliação de politicas públicas. Tem interesse especial nas áreas de educação e saúde. Atualmente, na boa companhia das cervejas e chocolates belgas, cursa o mestrado em economia na Universidade de Louvain.