A Esquerda: mais morta que lambada

Você no Terraço | por Rafael Kasinski

            Há tempos o Brasil não era interessante. Em parte isso deveu-se à despolitização ocorrida à época dos militares, em parte à ressaca do pós-Collor[i], mas de ’64 pra cá o Brasil era sempre a mesma história: aquele cara roubou, aquele outro é cafajeste; sicrana é ladra, fulana é suja. Blá, blá, blá. O País e seu dia-a-dia eram tão previsíveis que fatos e acontecimentos importantes por vezes passavam desapercebidos por inúmeras pessoas: melhoras e aperfeiçoamentos institucionais[ii], maior ocorrência de externalidades positivas relativas à estabilidade econômica e o surgimento de algumas figuras (mas nunca lideranças) políticas não populistas. Eram tantas CPIs jogadas fora; tantas investigações ignoradas e/ou travestidas; tanta gente podre regozijando-se, que brasileiros(as) riam e observadores(as) estrangeiros e domésticos davam de ombros. Pior: desde 1889, quando o primeiro governo de esquerda foi instaurado no Brasil, o País não sabe o que é ter um governo de outra espécie[iii].

            Mas, vejam só, as coisas andam dando uma (*sotaque mineiro*) mudadinha. Como o Brasil vem deixando o outrora surreal seriado House of Cards no chão, observadores(as) estrangeiros(as) e domésticos(as) e brasileiros(as) residentes e expatriados(as) não estão se aguentando: são fortes emoções, tipo aquele tio no churras de domingo que enche a cara e resolve jogar futebol na sala da sogra do genro. Contudo/mas/porém, toda essa emoção tira o foco e corremos o risco de ficar naquela típica situação pós-balada: acordamos lá no quarto 62 do Motel Fashion, na Ricardo Jaffet, e quem está ao lado não é quem o Johnny Walker[iv] prometera a você que seria.

O autor espera. A noite foi bruta.
O autor espera. A noite foi bruta.

            Sugestão? Esqueça Lula, Dilma, PT, Aécio, FHC, Alckmin: isso é tudo do agora, passageiro, não interessa. Pense na longue durée. Relaxe, o presente autor espera.

            A grande graça do que vem ocorrendo nesse agreste governo Dilma, em especial desde que ela foi reeleita, é que a esquerda[v] como nós a entendemos no Brasil, mostra-se esgotada. Ademais, se ela terá volta, só a terá se der-se uma repaginada muito profunda. Terá que fazer muito mais do que foi feito durante os governos FHC e Lula, e certamente não poderá repetir a avalanche de absurdos perpetrada pela administração Dilma. Mas antes, uma observação.

            É fácil fazer análise de um governo só[vi], ou de uma parte deste. Fornece clicks, likes, abraços, possíveis empregos. Não obstante, é na maioria das vezes desinteressante. O governo Dilma, por pior que seja (e mostra-se, no panteão de mediocridade do qual goza a história republicana brasileira, um dos piores de todos os tempos quando analisado por mais de uma métrica), é um governo e nada mais. Assim o foram também as administrações Collor, Itamar, FHC e Lula. Estamos falando aqui de vinte-e-sete anos de república. Não é nada.

Representação gráfica de vinte-sete anos na vida de um país.
Representação gráfica de vinte-sete anos na vida de um país.

            Analistas, cientistas políticos, historiadores: esses(as) profissionais muitas vezes não têm escolha nos dias de hoje e precisam comentar o agora como se só ele interessasse e lhe dar uma importância desmedida. Mas se pararmos para analisar a República desde 1889, a grande novidade de 2016 é essa morte acima descrita.

            Todos os governos republicanos[vii] que tivemos até agora -todos, sem exceção- trabalharam sob o entendimento que o Estado deve se ocupar da economia[viii]. Variou o grau de dominação, assim como os objetivos de cada governo, mas nunca houve dúvida -fosse em Brasília, fosse no Rio- que o capital serviria ao Estado. O governo menos estatista da nossa história, a administração FHC, nunca deixou de ser de esquerda no sentido clássico da palavra (ou seja, no sentido que usamos aqui). Contudo, esse governo entendia que já não dava mais para se ter uma economia como houve na Inglaterra do anos 70, ou na Itália dos anos 80. Seguindo o exemplo tanto de administrações anteriores[ix] como de governos estrangeiros[x], privatizou estatais e reduziu o tamanho do estado; mas para pular disso para -como querem muitos das esquerdas brasileiras- proclamar que tanto o governo FHC como o PSDB são de direita requer saltar um gigantesco abismo tanto técnico quanto filosófico.

            Não que não se tenha dado esse salto. Pelo contrário! Se nas Olimpíadas há varas para essa finalidade, em economia e filosofia política há gritaria, propaganda e o departamento de economia da UNICAMP. O final da Guerra Fria, a dissolução da URSS, o fim do comunismo em países como China e Vietnã, a absoluta inexistência de criação de riqueza durante a experiência socialista ao longo do século XX: nada disso serviu, de 09/11/89 em diante, para desmistificar A Esquerda para toda uma turma de pessoas bastante inteligentes (e outras nem tanto). Passamos toda década de 90 e uma parte da década de 00 ouvindo, ad nauseum, que o caminho à prosperidade era em sua direção. Pedia-se maior participação do estado na economia brasileira como bêbado pede azeitona em bar (sabe, né? Para depois poder dizer que a indigestão foi causada por ela e não pelas oito dozes de Cynar), alegando-se que a partir do governo Sarney o país tornara-se (*voz de Cid Moreira*) neoliberal. A chiadeira foi intensa, a publicação de n teses ocorreu a todo vapor e -Tchans!- o Brasil continuou a ser um país (*trilha piegas de horror*) De Direita[xi].

Representação de um pesadelo neoliberal.
Representação de um pesadelo neoliberal.

                        Em 2002, a parte da esquerda nacional[xii] mais saudosa dos anos 50 conseguiu o que quis: através tanto do BNDES quanto da ideologia pura e simples das administrações Lula e Dilma, implementou-se uma verdadeira orgia de participação estatal na economia como não se via há pelo menos oito anos. O estado participou dela como Catherine M participava da vida sexual alheia: se pudesse/talvez/quem-sabe vingar, tava valendo. Fomos apostar em ser a galinha dos ovos de latão que sempre fomos: exportadores de commodities, produtos industrializados pouco ou nada competitivos e serviços de baixo valor agregado que buscava a todo custo ser uma autarquia. Quando o governo descobria (Ó, Céus!) que seus súditos não estavam de fato satisfeitos e queriam, por exemplo, comprar um produto de alto valor agregado ou usufruir de um serviço de igual adjetivação, recorria a seu ímpeto Cepalino[xiii] de sempre.

Vamos fazer chips, darling? Eike loucura!!!
Vamos fazer chips, darling? Eike loucura!!!

            Através do governo Lula, a esquerda desperdiçou -no melhor estilo “Perdeu, playboy!”, com o playboy sendo todos nós- a chance de usar o mastodôntico boom de commodities[xiv] da época para reestruturar o Brasil de baixo para cima; ficamos de 2003 até agora sem fazer uma mudança estrutural significativa no País. Pior: torramos uma quantidade dantesca de tutu com a mesma mentalidade atrasada e por vezes detestável que ajudou governos de JK aos militares a nos levar à depressão econômica da qual o País só saiu em 1995[xv].

           Falando em mentalidade atrasada, poderíamos mencionar o complexo de nouveau-riche que acomete alguns seres e setores da esquerda nacional. Um dos resultados foi o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica (CEITEC)[xvi], oriundo da ideia de “jogar na conta do Coutinho[xvii]” o custo de emular a habilidade dos sul-coreanos em produzir micro-chips. Primeiro, porque esses setores da esquerda acham "chique" produzir microchips e afins (mais sobre isso adiante). Em segundo lugar, porque esse mesmos setores parecem acreditar que qualquer projeto vale a pena, independente de sua exequibilidade, necessidade e importância.

            Tal miopia não vem sem seu preço. Um ano depois de inaugurado, o CEITEC já consumira R$300 milhões e acumulara um rio de suspeitas[xviii]. Como se não bastasse, o governo inaugurou uma estatal de supercondutores, a Six Semicondutores, que acabaria por competir com a CEITEC. A Six, instalada em Minas, faria um chip com uma tecnologia que a estatal CEITEC, instalada no Rio Grande do Sul, tinha em seus planos fazer[xix]. A ideia é que seria “estratégico” fazer chips e supercondutores (mesmo sabendo que havia países e empresas que já faziam isso com amplo expertise e custo bastante reduzido); mesmo assim, os governos Lula e Dilma e seus sagazes ministros de Ciência e Tecnologia tiveram a astúcia de canibalizar uma estatal com outra[xx]. Tudo isso foi feito com dinheiro do BNDES (ou seja, do(a) contribuinte), que serviu, através do BNDESpar, o intuito de catapultar o Brasil ao panteão dos países produtores de alta tecnologia[xxi]. Ao que tudo indica, não deu certo[xxii].

            Não que qualquer projeto de prosperidade da esquerda tenha dado certo no longo prazo; sua dificuldade vis-à-vis instituições não permite isso: seja por entender que estas são mera frescura burguesa, seja por entendê-las como empecilho à (*voz de Cid Moreira*, de novo) Revolução, a falta de instituições fortes e sólidas em países que são realmente De Esquerda resulta numa notória inabilidade de ou melhorar a vida da população de um país ou, quando consegue-se o feito, sustentar essa melhora no longo prazo[xxiii]. À exceção da Inglaterra pré-Thatcher[xxiv], nenhum país europeu que realmente tentou a via da economia mista sobreviveu aos anos 80 sem mudar de rumo de maneira fundamental: foi-se descobrindo que simplesmente não é possível o estado ter tamanho X quando seu tamanho possível é menor que X. Ademais, foi-se notando que há certas coisas que o Estado não deve fazer, como pescar minério no chão. Eventualmente, esses países foram se adequando às suas realidades econômicas, demográficas, e geopolíticas.

            A América Latina (AL) quis ser diferente. Não satisfeitos com a falência completa econômica e moral do projeto socialista que assolou a Europa de 1917-1991, partidos como o PT e o MAS (Bolívia) e figuras emblemáticas do caudilhismo como Lula, Chavez e Morales (para citar três) concluíram que show de bola mesmo era praticar algum tipo de capitalismo de estado aqui no lado de baixo do equador[xxv]. Todos seus partidos; todos seus governos; todas suas ações, ao longo de seus anos a frente de seus países, visaram solapar instituições e construir alianças com base em clientelismo e sua fiel escudeira, a lealdade. Hoje, Brasil, Bolívia (em muito menor grau) e Venezuela (essa sim, mais acabada que meretriz no sexto do mês) colhem os frutos desse tipo de governo.

Possível aquarela feita por esquerdistas para a AL no século XXI.
Possível aquarela feita por esquerdistas para a AL no século XXI.

            Duas foram as razões, pelo menos na AL, para esse tipo de comportamento: nosso passado de figuras paternas autoritárias e a insistência por parte da esquerda em priorizar o partido acima tanto da nação (ou do País) quanto do indivíduo. Instituições sólidas e fortes não permitem a governantes o tipo de arbítrio que demonstraram figuras facistas, como Getulio Vargas, ou socialistas, como Chavez[xxvi]. Países com instituições sérias podem (e devem) sobreviver à morte de seus líderes mais carismáticos e competentes e devem poder manter-se prósperos quando um partido deixa o governo e outro assume. Isso tem sido notoriamente difícil na AL ao longo das últimas décadas e grande parte da razão tem a ver com a insistência por parte da esquerda em atentar contra instituições.

            Essa insistência nos trouxe ao dilema no qual se encontra o Brasil agora. Dilma Rousseff e sua administração são filhotes[xxvii] de toda uma escola de como se fazer governo. Nunca foram republicanos, nunca praticaram política republicana[xxviii], nunca entenderam discórdia como uma opção válida e (o que é mais importante) nunca entenderam que seu partido é de fato menos importante que o país[xxix]. Nosso presente dilema tem raízes históricas profundas e o presente governo, assim como o que o antecedeu, nos lega uma situação periclitante que nada mais é que um reflexo de sua visão de mundo.

            Assim sendo, o que tem a esquerda a oferecer? Mais líderes carismáticos? Mais partidos únicos unidos? Mais vermelho nas ruas numa orgia semiótica dos anos 20/30 que hoje tem a diferença de não ser mais em preto-e-branco? Deposições a respeito de pobres que foram retirados da pobreza e que agora voltaram a seus braços? Mais exportação de commodities? Vilificação de empresários (sono. Que sono…)? Política externa sul-sul, para ver se trocamos alguma commodity nossa por alguma commodity do Gabão? Mais empregos públicos que não geram riqueza? Mais carteiras de trabalho para empregos de baixo ou nenhum valor agregado? Mais crença desmedida em leis trabalhistas fascistas? Mais conversa fiada de campeões nacionais[xxx]?

            Não há no mundo uma vasta coleção de monumentos à esquerda que sobrem em pé. A intervenção do estado na economia não levou a longo prazo prosperidade duradoura. As razões para isso alterar-se-ão de região a região, mas o fato é inalterável. O presente cenário econômico brasileiro; a Argentina ao final do governo Cristina; a crise de 2008 nos EUA[xxxi]; a loucura a céu aberto que agora é a Venezuela: os fatos falam por si em alto e bom som. A intervenção do estado pode dar-se pela razão que seja, mas os resultados, quando nefastos, levam prêmios. Isso é especialmente verdade em países como o Brasil, onde o empresariado, que deveria ajudar a propulsionar a economia, é muitas vezes uma coleção de desesperados, gente que tenta empreender para tentar pagar contas[xxxii]. Quando conseguem ir além disso, empresários(as) no Brasil descobrem que a lei os pune por tentar ter seu negócio, seja através da carga tributária surrealista e da já-mencionada CLT, seja através da burocracia e da ideologia estatista. O empreendedorismo no Brasil só não é punido quando serve ao Estado, como temos visto através dos tempos. Se o empresário estiver disposto a tornar-se parte da máquina do poder, daí ele poderá tudo[xxxiii]. O relacionamento entre empreiteiras e governo tem sido o mais esclarecedor e límpido exemplo disso em toda nossa história. Na era JK, Geisel ou Dilma (a Geisel de saias), a promiscuidade entre essas empresas e o Poder tem sido absoluta. E nenhum desses governos pode ser acusado de ter sido de direita[xxxiv].

            Após mais de um século de fracasso, a esquerda lega, por um lado, uma maior abertura para o liberalismo (no sentido clássico da palavra), caso latino-americanos em geral e brasileiros especificamente estejam na vibe de largarem um pouco sua eterna vontade de ver se o Estado (ou talvez algum Pai dos Pobres 2.0, como foi Lula) não consegue prover mais algum direito ou vantagem. O outro legado, muito mais serio e nefasto, é a Tiriricarização da política, onde um Jair Bolsonaro[xxxv] encontra um espaço que ele não deveria ter por não haver interesse alheio. Visto a turbulência mundial que vemos a nosso redor (e a qual tem escapado pouquíssimos países) e a situação econômica gravíssima que atravessa o Brasil, situação essa que há de roubar muita gente de seu futuro, não seria demasiado sábio ignorar a possibilidade de alguém como o deputado pelo Rio de Janeiro ascender ao Executivo.

Aguarda-se uma explicação convincente a respeito das diferenças entre Cacareco e Bolsonaro.
Aguarda-se uma explicação convincente a respeito das diferenças entre Cacareco e Bolsonaro.

            O presente autor espera não ser vítima da mesma soberba que acometeu Nirlando Brandão quando este publicou o obituário político de José Serra[xxxvi]. Ou da arrogância suprema de Francis Fukuyama, cujo The End of History[xxxvii] continua a incessantemente assistir confirmada a continuação da história. É, contudo, notório que há um pêndulo em política, e que amanhã pode-se muito bem voltar a um cenário onde, mais uma vez, populações inteiras decidam, contra tudo e todos, que sim!, é possível haver governo grátis[xxxviii]. Mesmo assim, ainda que brasileiros, venezuelanos, americanos, espanhóis, gregos e tantos outros povos que insistiram que bom mesmo era ter o estado induzindo a economia ao fundo do poço queiram, afinal, mais governos de esquerda, a morte desta permanece inalterada. Brincar com carcaça não significa que Lázaro de fato ressuscitou.

            Se a esquerda um dia acordar com um novo plano, será interessante lê-lo para ver o que haverá de novidade. A esquerda poderia, por exemplo, parar com essa mania corporativista irritante, digna de urticária, que é uma das maiores destruidoras de instituições que há. Outra ideia é sustar a ímpeto que tem de levar países a bancarrota e assim danificar economias inteiras de tal modo que o conserto destas sempre seja desmedidamente doloroso. Uma terceira sugestão (ó, falsa modéstia) é entender que cem anos de um experimento que insiste em não dar certo muito provavelmente forma uma base empírica suficientemente confiável para se concluir que -veja só- o Estado não é o exímio motor da economia que os grandes economistas da esquerda (Dilma Rousseff, Luiz Gonzaga Belluzzo, et al) o consideram.

            Até lá, os sinos soam e seu barulho é ensurdecedor.

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Rafael Kasinski
Músico, produtor, formado no Berklee College of Music, tem 33 anos

Notas:

[i] Afinal, é muita zica e asneira ter como vencedor da primeira eleição direta em vinte-e-um anos um ser provinciano que acaba impedido dois anos depois da posse.

[ii] A criação do COPOM é um bom exemplo, assim como o são o fortalecimento da PF e a Lei da Responsabilidade Fiscal.

[iii] Duas observações: primeiro, o Brasil teve um governo de esquerda (o que exatamente isso é será tratada mais adiante nesse ensaio) instalado por meio de um golpe no século XIX, o que foi certamente uma inovação à época. Segundo, o golpe não foi revolucionário, já que o status quo foi mantido. A ironia é intoxicante.

[iv] Parte da linha Diageo de produtos embelezadores. Prazo de validade: de 4-12 horas, a depender da quantidade ingerida. Alguns efeitos colaterais: ocasional baixo custo-benefício, arrependimento, vergonha em redes sociais, morte por envenenamento.

[v] Dirão os doutos que há “esquerdas”. O presente autor está plenamente ciente disso e sabe que PSOL, PSTU, PSDB, PCdoB, PT e o car&#$o a quatro não são a mesma coisa. Há escolas de esquerda que divergem e muito, e nem todas são (ou pretendem ser) representadas por partidos políticos. O autor está tb ciente que há um limite de espaço para este texto.

[vi] Ainda mais quando nem analista se é, como é o caso do presente autor.

[vii] A definição aqui de “republicano” é, sim, bastante generosa.

[viii] O que ajudou a nos levar à situação infame onde FIESP e governo federal, rusgas a parte, são entes gêmeos.

[ix] Sarney (’85 -’89) e Collor/Itamar (’90-94).

[x] Argentina e Rússia são dois exemplos, ambos terríveis e corretamente mal-falados.

[xi] UNICAMP (Economia) 1 x 0 Roberto Campos.

[xii] Assim como a parte do empresariado nacional que historicamente nunca foi muito chegada à inconveniências como competição e competência.

[xiii] CEPAL, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, que ajudou a tornar famosa a ideia de substituição de importações. Até hoje, seres paleolíticos como Maria da Conceição Tavares são enamorados desta ideia: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,economista-ligada-ao-pt--conceicao-tavares-propoe-alianca,10000001189

[xiv] Lembrando que nosso portfólio de commodities é amplo. Outrossim, o governo Lula malgastou o enorme capital político do qual gozava a figura do presidente (talvez porque este estivesse demasiado ocupado decorando sítios alheios com ornatos pessoais.

[xv] Um bom (e enviesado) documentário a respeito do tema é Laboratório Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=3LHH7nigO6A

[xvi] Agradecimentos a Ricardo Taveira pelas referências. O(A) leitor(a) deve também ficar a atento ao desenrolar das eventuais investigações que dar-se-ão vis-à-vis o BNDES, essa fábrica de máfias e tenebrosa transações cujas perdas, nacionais e internacionais, nós ainda desconhecemos.

[xvii] Luciano Countinho, presidente do BNDES e maior queimador de dinheiro de contribuinte na história do Brasil.

[xviii] http://www.istoe.com.br/reportagens/142617_FABRICA+DE+ILUSOES

[xix] http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/economia/noticia/2012/11/instalacao-de-nova-empresa-faz-ceitec-repensar-planos-3962406.html

[xx] http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=site&amp=&infoid=34804&sid=7

[xxi] Ricardo Taveira, mencionado na nota 15, crê que isso fazia parte da ideia Lulista de fazer-se políticas “chiques”. Ele diz isso pois certa vez Lula comentou que seria chique emprestar ao FMI (http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1070863-9356,00-VOCE+NAO+ACHA+CHIQUE+O+BRASIL+EMPRESTAR+PARA+O+FMI+DIZ+LULA+EM+LONDRES.html). Conhecendo a figura de Luiz Inácio Lula da Silva, R. Taveira não parece estar muito longe da verdade em sua análise.

[xxii] Aliás, aguarda-se sentado, balde de pipoca em mãos e óculos 3D na cara, uma eventual investigação do BNDES para ver o que foi feito durante a gestão temerária de Luciano Coutinho no banco estatal que tenha dado certo e gerado algum dividendo que mereça o nome.

[xxiii] À primeira vista, é gritante o erro nessa análise: os governos Socialistas europeus do pós-guerra eram (duh!) socialistas e ou construíram ou solidificaram ótimas instituições. Contudo, é meio enganoso chamá-los de Socialistas, já que quase nenhum deles (a Suécia foi se tornando uma exceção até quebrar em 1991 e a Inglaterra foi no máximo uma economia mista) tinha um estado detentor dos meios de produção. Logo, a análise não está errada. Sinto.

[xxiv] Tony Judt, em seu livro Postwar (http://www.amazon.co.uk/Postwar-History-Europe-Since-1945/dp/009954203X), explica a diferença em desempenho econômico entre Grã-Bretanha e demais países da Europa Ocidental nos anos de ouro do capitalismo e o porquê do crescimento medíocre da terra da rainha. Como a população rural britânica tornara-se urbana antes da Segunda Guerra Mundial, O Reino Unido (e não apenas a Inglaterra) não pôde se aproveitar dos benefícios econômicos advindos dum êxodo rural permanente.

[xxv] E mudar seus campeões nacionais de Pelé e Senna para Eike e Wesley Batista. Agradecimentos a Ricardo Taveira (de novo) pela feliz observação.

[xxvi] Quem ainda não entendeu que o que define o que é esquerda e direita é apenas intervenção estatal na economia continuará tendo dificuldades em compreender que fascismo é de fato um movimento de esquerda.

[xxvii] Esse termo é emprestado do Spotniks. Usaram para tirar sarro de José Serra, a quem (corretamente) chamaram de “filhote da UNICAMP”: http://spotniks.com/ter-o-psdb-como-oposicao-so-interessa-a-um-grupo-de-pessoas-os-petistas-e-essa-e-a-razao/

[xxviii] Nesse quesito estão em ótima companhia, já que os congressistas que praticam esse tipo de política são tão escassos quanto ruivos no Japão.

[xxix] Antes que algum lacrador de 13 venha encher o saco do presente autor, que se entenda que por “país” o autor quer dizer “a vida de indivíduos”. Ao contrário de quem vota no PT/PSOL/PSDB/PSTU/etc. (ou se masturba com fotos de Jair Bolsonaro), o presente autor não é de esquerda.

[xxx] Luiz Gonzaga Belluzzo, arauto do departamento de economia da UNICAMP (aquele objeto de escárnio do falecido Roberto Campos), certa vez foi comentar a respeito de campeões nacionais em entrevista ao Estado de São Paulo (http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desembrulhar-o-pacote-de-2015-nao-vai-ser-facil-diz-belluzzo,182467e). O que desenvolvimentistas como Belluzzo e Ha-Jooon Chang ignoram a respeito de campeões nacionais e protecionismo e que funcionou com países como Alemanha Ocidental, Japão e Coreia do Sul porque havia interesse geoestratégico por parte dos EUA durante a Guerra Fria para que estes mercados fossem protegidos. Há uma boa explicação disso em America, Russia, and The Cold War, 1945 - 1996 (http://www.amazon.com/America-Russia-The-Cold-1945/dp/0070360642).

[xxxi] O mimimi sobre a crise de 2008 é conhecido: houve falta de regulamentação, era um enorme free for all, etc. Quem diz isso não verificou o grau de envolvimento do governo dos EUA junto ao setor financeiro, em especial o governo Clinton (’92-’00), que decidiu que todos os americanos, podendo ou não, deveriam ter sua casa própria.

[xxxii] Exemplos disso são aqueles jogados de tempos em tempos no emprego informal, ou que tem suas micro empresas sem necessariamente querem, ou procurarem, ser micro ou pequeno(a) empresários(as). Existe uma enorme diferença entre mirar o empreendedorismo e acabar nele por falta de opção no mercado de trabalho.

[xxxiii] Mais uma vez/de novo/novamente, Ricardo Taveira traz à tona algo relevante: a Rússia é exatamente isso; cooperou, lucrou. Um bom documentário a respeito de tema é Putin’s Way (http://www.pbs.org/wgbh/frontline/film/putins-way/)

[xxxiv] Reitera-se: não na concepção de direita/esquerda encontrada neste ensaio.

[xxxv] Que não passa de um repeteco de Collor ’89. Para maior contextualização, leia Collor: o ator e suas circunstâncias, de Carlos Melo (http://folhashop.folha.uol.com.br/collor-o-ator-e-suas-circunstancias-carlos-melo-8599560131.html#rmcl).

[xxxvi] Eis aqui a admissão do erro: http://www.cartacapital.com.br/blogs/qi/a-ressurreicao-de-jose-serra-7662.html.

[xxxvii] http://www.amazon.com/The-End-History-Last-Man/dp/0743284550

[xxxviii] O presente autor tomou a expressão emprestada do ótimo livro O mito do governo grátis, de Paulo Rabello de Castro (http://www.travessa.com.br/o-mito-do-governo-gratis-o-mal-das-politicas-economicas-ilusorias-e-as-licoes-de-13-paises-para-o-brasil-mudar/artigo/9f66fe03-de96-4abd-99cf-82e328654214)

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Sobre Rafael Kasinski 8 Artigos

Formado em composição popular pela Berklee College of Music, Boston, EUA, é produtor musical, vocalista, locutor e ex-baterista. Está atônito de ainda poder publicar no Terraço Econômico. Interessa-se principalmente pela (falta de) racionalidade no discurso público e na vida individual das pessoas. Deu aula durante anos e ficou muito mal impressionado com as decisões que cidadãos tomam, ou deixam de tomar. Ocasionalmente discute música, em especial Prince e King Crimson e a importância de dançar.

1 Comentário

  1. O texto em si não é de todo ruim, mas algumas ideias exageradas prejudicam bastante... a concepção de direita/esquerda dele é mais estranha que a do PSTU!

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