Pesquisas eleitorais e o gap educacional

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Ao analisarmos a distribuição de intenções de votos pelas características do eleitorado brasileiro dos institutos de pesquisa Ibope e Datafolha, observamos que existe, historicamente, uma relação negativa entre o gap educacional estimado pelas pesquisas e o desvio das projeções desses institutos para o resultado da urna. Esclarecendo essa análise, quanto menos escolarizado o eleitorado, mais superestimado é o seu voto pelos institutos de pesquisa. E por complitude, quanto mais escolarizado o seu eleitorado, mais subestimado é o seu voto pelos institutos de pesquisa. Esse efeito é evidente em eleições onde há uma clara polarização entre candidatos de direita e esquerda, e que, por consequência, apresenta um perfil de eleitores antagônico. Dentre as possíveis causas desse erro que vem se repetindo ano após ano colocamos como os mais prováveis: (i) efeito abstenção; (ii) efeito fat finger(erro na hora da votação), ambos mais presentes na população de renda mais baixa e menos escolarizada do que a mediana brasileira.


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Pelo perfil do eleitorado dos candidatos Bolsonaro e Fernando Haddad, concluímos que Bolsonaro estaria subestimado entre 5 e 10 pp, dependendo da pesquisa utilizada. Já FH, estaria superestimado entre 2 – 3 pp. Considerando que os votos brancos e nulos serão próximos de 15% esse ano, Bolsonaro precisaria atingir 43% dos votos totais para conseguir a vitória em primeiro turno. Bolsonaro pela última pesquisa ibope se encontra com 31% dos votos, o que aplicando os 10 pp de gap levaria ele para próximo do mínimo necessário para atingir a vitória no primeiro turno.

Como consideramos que ele irá subir entre 4-5 pp entre os votos totais essa semana (efeito voto útil / crescimento do anti-petismo), não parece um evento de cauda uma vitória em primeiro turno.

 

Leonardo De Paoli
Economista na Legacy Capital Gestora de Recursos e Mestre pela PUC-RJ

Observações:

[1] Os dados foram restritos às pesquisas estaduais (que continham intenção de votos para presidente) realizadas na véspera das eleições dos anos de 2006, 2010 e 2014. E os votos utilizados na análise foram os totais e não os válidos. Se retirarmos da análise o ano de 2014, o resultado não apresenta mudança significativa.

[2] O eixo x é o desvio em p.p. das intenções de voto da pesquisa ibope do eleitorado que possui escolaridade até o ensino fundamental em relação a sua média global de intenções de votos. Exemplo: se o candidato X possui 26% de intenções de votos dentre o eleitorado que possui escolaridade até o ensino fundamental e 21% na sua média global de intenções de votos, o seu gap é positivo em 5 pp.

Artigo Original: https://www.linkedin.com/pulse/pesquisas-eleitorais-e-o-gap-educacional-leonardo-de-paoli/

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