O Câmbio pode Salvar uma Economia?

A ideia de CÂMBIO SALVADOR DA ECONOMIA não vem de hoje.

A ideia de CÂMBIO SALVADOR DA ECONOMIA não vem de hoje. A intuição é que países ricos precisam de uma indústria forte. E se você desvaloriza o câmbio, a sua indústria passa a ser mais competitiva.

TENTAMOS ISSO POR DÉCADAS. Basta olhar para ver que não funcionou muito. No GOVERNO MILITAR, o lema era “EXPORTAR É O QUE IMPORTA”. A ideia era a mesma. Manter o câmbio desvalorizado para poder exportar mais.

Passados 40 anos e diferentes regimes cambiais, governos sempre flertaram com essa ideia e usaram instrumentos para desvalorizá-lo. Em 2012 isso era rotina no BC.

Com dólar caindo abaixo de R$ 2,00, o governo cansou de fazer Swap Cambial Reverso – uma espécie de compra dólar futuro – na tentativa de desvalorizar o Real.

A ideia tinha simpatia dos heterodoxos para manter um CÂMBIO INDUSTRIAL DE EQUILÍBRIO
Mas essa ideia de que para ser rico precisa ter uma indústria nacional forte (e pra isso um câmbio desvalorizado) explica muito pouco a diferença entre os países.

Um câmbio desvalorizado tende a criar uma distorção: mantém – ARTIFICIALMENTE – indústrias ineficientes produzindo. O resultado é que se seu país faz isso por muito tempo, ele é MAIS INEFICIENTE COMO UM TODO!

O que tem se falado muito hoje em dia – a fronteira das pesquisas – que explica o porquê um país é pobre e outro é rico, não é sobre câmbio . São as DISTORÇÕES MICROECONÔMICAS.

Há diversas distorções que beneficiam empresas pouco produtivas e punem empresas mais produtivas.

– Subsídios para empresas ineficientes.
– Dificuldade de abrir e fechar empresas
– Excesso de leis tributárias
– Restrição de crédito para pequenas empresa
– Etc etc etc

Por exemplo, a Índia é um país com diversas distorções. Um paper muito bom (Hsieh and Klenow, 2009) mostra que se a Índia tivesse o mesmo nível de distorções na economia que existe nos Estados Unidos, eles seriam de 40% a 60% mais produtivos. Por isso as diversas reformas lá.
Um outro artigo, usou a mesma metodologia e achou evidências que – SE TIVÉSSEMOS AS MESMAS DISTORÇÕES QUE OS ESTADOS UNIDOS – teríamos uma produtividade 50% maior. E que essas distorções aumentaram a partir de 2005 com diversas intervenções que mantém viva empresas ineficientes. Ou seja, o que tem se discutido não é “como o câmbio pode ajudar nossa indústria nascente”.
O que tem se discutido é como reduzimos nossas distorções para que as empresas mais produtivas possas crescer mais e as mais ineficientes sigam o caminho delas. É assim que a empregada vai pra Disney, com mais renda e um país mais rico e produtivo.
Não valorizando ou desvalorizando câmbio.

Leonardo Siqueira

Doutorando pelo Insper-SP. Saído das camadas baixas da população brasileira, com muito esforço (e uma dívida imensa) conseguiu se formar na tão sonhada Escola de Economia de São Paulo da FGV. Não satisfeito com sua dívida da FGV resolveu fazer mais uma para cursar o Mestrado em Economia na Barcelona Graduate School of Economics, e fez o maior crowdfunding de educação da história do país. Nos tempos vagos tem o estranho hábito de assistir discursos de políticos como Collor, Barack Obama, John Kennedy e também do pastor Silas Malafaia, pois segundo ele, “esses caras vendem areia na praia”. O máximo que conseguiu com essas técnicas de persuasão, entretanto, foi uma cobertura extra no McDonald's. No ensino médio foi monitor de matemática e entrou pra história como primeiro monitor a ficar de “recuperação” com o restante da sala, mostrando desde cedo seu espírito de equipe. Tirando esses percalços da vida, possui diversos artigos nos principais veículos como: Valor Econômico, Folha de São Paulo, G1, UOL etc.
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