
Em pleno contexto de eleições no Brasil, estamos vendo agora um cenário cada vez mais desolador para quem for se candidatar que não seja Lula e Flávio Bolsonaro. De um lado vemos um velho ícone da política Brasileira e de outro estamos vendo uma grande ascensão da oposição.
Como a terceira via se encaixaria nisso?
Antes disso é preciso entender o cenário político e econômico Brasileiro. A última vez que a terceira via chegou de fato a quase ir para o segundo turno foi em 2014, quando a Marina Silva quase desbancou Aécio Neves, fazendo mais de 20% dos votos, depois acabou o apoiando na sua derrota no segundo turno contra a Dilma.
Em 2018 Ciro Gomes ficou mais distante, pois a polarização já estava se acirrando, tarefa iniciada em 2014? Será mesmo? Podemos dizer que muitos dos atos que vivenciamos hoje em dia vem desde aquela época, o gargalo político, as discussões familiares, a dor e a intemperança que assola milhões de Brasileiros tem voz e desesperança, mas não tem uma só culpa.
E o mais chocante é que parece que não aprendemos com os nossos próprios erros, continuamos reféns do passado, esse mesmo passado que nos assola, nos maltrata e nos repugna. Já diria George Santayana “Aqueles que não aprendem do passado estão condenados a repeti-lo”. Por conta disso, estamos enfileirados em um caminho de pedras que condena A ou B, mas não dialoga com C ou D e esquece dos planos da nação.
Cortamos o plano da nação, esquecemos quem somos e de onde viemos, somos a luz da liberdade, o “mix” da esperança e do progresso, a luta pela vida e o caminho trazem ao Brasil um mar de desafios nesse momento e devemos parar e refletir sobre o que queremos para nós mesmo como nação, não só sobre política, mas sobre os nossos próprios valores.
A compreensão do caos
Antes mesmo é preciso compreender que hoje estamos vivendo uma pluralidade de notícias, sejam boas ou negativas, mas que não nos leva a algum lugar. Precisamos nos tornar cada vez mais protagonistas do nosso próprio destino. Uma hora é a taxa de desemprego baixa, outro ponto é o percentual alto da taxa de juros, desde o início da polarização estamos vivendo uma época de nebulosidade política e econômica que a mais de 10 anos nos faz sofrer. Estamos sempre entre o caos e a ordem. E como diria Saramago, o caos é uma ordem por decifrar.
Temos pontos a serem resolvidos:
- O fim da polarização.
- A necessidade de ter uma boa terceira via.
- A reconstrução das relações humanas.
- A ordem acima do caos.
É importante dizer que o caos é inerente a vida do ser humano, seja nesse aspecto político, de relações humanas deterioradas e de enfraquecimento de outras possiblidades políticas, mas sempre há esperança de crescimento e força para que o Brasil consiga sim ver que existem de fato pessoas capazes de mostrar e desempenhar potencial.
O verdadeiro problema do cenário político brasileiro não reside apenas no cansaço gerado pela polarização, mas, sobretudo, na incapacidade de converter esse desgaste coletivo em uma alternativa política concreta, consistente e viável. Há, de fato, um esgotamento social em relação ao embate permanente entre dois polos que monopolizam o debate público, fragmentam as relações humanas e empobrecem a discussão sobre os reais desafios nacionais. Contudo, esse descontentamento, por si só, não tem sido suficiente para consolidar uma força capaz de romper essa lógica, seja por falta de liderança, de projeto nacional ou de articulação política.
Assim, o Brasil permanece preso a uma dinâmica de rejeições recíprocas, sem conseguir transformar a fadiga da polarização em uma saída institucional sólida e verdadeiramente competitiva.
Por conta disso, podemos separar diversos problemas a respeito do Brasil:
- fortalecimento contínuo da polarização;
- enfraquecimento de alternativas políticas viáveis;
- esvaziamento do debate público qualificado;
- prevalência da rejeição sobre a construção de propostas;
- desgaste das relações sociais e familiares;
- ausência de um projeto nacional consistente;
- dificuldade de diálogo entre diferentes visões políticas;
- instabilidade institucional e insegurança quanto ao futuro do país.
Seria o fim da terceira via?
Diante desse cenário, torna-se evidente que o Brasil vive não apenas uma disputa eleitoral, mas uma crise mais profunda de direção política, de convivência social e de identidade nacional. A polarização, que por anos dominou o debate público, já não se limita ao campo das urnas: ela se projeta sobre as relações humanas, contamina o diálogo democrático e enfraquece a capacidade do país de pensar a si mesmo de forma madura e estratégica. Enquanto a sociedade permanece presa à lógica do confronto permanente, temas centrais para o futuro nacional seguem sendo adiados ou tratados de forma secundária.
Nesse contexto, a necessidade de uma alternativa viável não decorre apenas do desejo de romper com os polos já consolidados, mas da urgência de reconstruir o debate público em bases mais racionais, equilibradas e comprometidas com os interesses coletivos. O verdadeiro desafio não está apenas em rejeitar os extremos, mas em criar condições políticas, institucionais e sociais para o surgimento de um projeto de nação que recoloque no centro da discussão questões como desenvolvimento, estabilidade, produtividade, justiça social e fortalecimento das instituições. Sem isso, o cansaço da população continuará existindo, mas permanecerá incapaz de se converter em mudança concreta.
Por isso, mais do que escolher entre nomes ou grupos políticos, o Brasil precisa refletir sobre que país pretende ser nos próximos anos. É necessário recuperar a capacidade de diálogo, restaurar a centralidade do interesse nacional e compreender que nenhuma democracia se sustenta apenas na negação do outro. O futuro do país dependerá, em grande medida, da disposição de sua sociedade em superar o ruído da polarização para voltar a discutir propósito, responsabilidade e caminho. Somente assim será possível substituir o desgaste do presente por uma perspectiva real de reconstrução e esperança.
Mateus Cunha
Mestre em Administração pela Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC-RJ, Contador pelo IBMEC-RJ. Possui extensão em Administração pela University of Bloomington. Trabalha com Perícia Contábil e é fundador e editor chefe do Expresso Econômico, antigo Economia Falada desde 2020.





