Mercado de capitais: Renda fixa

Especial para o Terraço | Por João Luiz Cesar *

Em um momento de grandes incertezas econômicas como o que estamos vivendo devido ao período eleitoral, o pessimismo dos agentes massacra a bolsa de valores. Nem mesmo grandes empresas blue chips passam incólumes, assistindo suas cotações caírem a cada dia. Porém, uma ótima alternativa para quem procura uma rentabilização constante e menos agressiva de sua carteira é o mercado de renda fixa.

A diferença entre elas está ligada ao modo como a rentabilidade do investimento é dimensionada. Quando tratamos de renda variável, a remuneração não pode ser dimensionada no momento da aplicação, já que ela está associada às características do mercado e varia conforme mudam as expectativas dos agentes. Neste conjunto, os investimentos mais comuns são em ações, fundos de renda variável, commodities e derivativos.

Em contrapartida, no mercado de renda fixa, o investidor compra títulos de dívida de instituições financeiras, empresas ou governo e recebe em troca uma determinada taxa de juros. Os produtos mais comuns desse mercado são: Caderneta de Poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB) e títulos do Tesouro Direto, como as Letras do Tesouro Nacional (LTN), as Notas do Tesouro Nacional (NTN) e as Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

Renda fixa: Constância nos retornos
Renda fixa: Constância nos retornos

Além disso, esse mercado pode ser dividido em títulos pré-fixados ou pós-fixados. Os títulos pré-fixados são aqueles cujo rendimento está associado a um prazo de vencimento e a um valor de resgate previamente conhecidos. Portanto, o portador do título resgata o valor investido acrescido da remuneração acordada na data da compra. Nesse subgrupo, os títulos mais comuns são a LTN e a NTN-F.

Já o rendimento dos títulos pós-fixados está associado a uma taxa de juros ou indicador econômico que varia com o tempo, ocasionando uma oscilação do montante pago. Além disso, alguns desses títulos também podem ter alguma forma de garantia fornecida pela entidade emissora do título, como por exemplo, um percentual mínimo de ganho. Em outras palavras, a taxa paga por títulos pós-fixados são compostas por uma parte pré e outra parte variável (Ex.: NTN-B pagando uma taxa de IPCA + 5,6%). Alguns títulos públicos, como a NTN-B e a LFT, pertencem a esse grupo.

Tabela 1 – Títulos do Tesouro Nacional e suas características
Tabela 1 – Títulos do Tesouro Nacional e suas características

Assim como a manchete do Valor Econômico acima sinalizou, é importante notarmos que os títulos de renda fixa não são imunes ao cenário econômico. O preço deles, por serem negociado no mercado, muda conforme a oferta e procura dos agentes. Dessa forma, caso você decida vender seu título antes de seu vencimento, você poderá incorrer inclusive em prejuízos.

Esperamos que a diferença entre os títulos pós e pré-fixados tenha ficado mais clara, pois nos próximos posts entraremos em mais detalhes quanto ao funcionamento dos títulos mais populares de renda fixa.                                                                                                                                  

*João Luiz Cesar
Graduando em economia pela Escola de Economia de São Paulo da FGV
Consultor da CJE
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