
Eleito Lula para o quarto mandato, agora a discussão entra em outro campo, o de qual será o quadro ministerial dessa nova gestão. Alguns dos que lá estão devem continuar, talvez outros que perderam eleições em outros cantos irão compor quadros.
Neste artigo, vamos falar sobre um assunto que está pouco sendo abordado enquanto se discute sobre “quem deve ser o próximo Ministro da Fazenda”.
E esse fator é muito mais decisivo do que o próprio nome.
“Não precisamos de ajuste…”
2014 não foi apenas o ano em que o Terraço Econômico surgiu, foi também o ano de uma curiosa campanha eleitoral a nível de presidência: a de Dilma Rousseff à reeleição.
Naquele momento, em que a briga hegemônica era entre PT e PSDB, de um lado tínhamos Dilma com mensagens de otimismo e continuidade e, de outro, Aécio Neves colocava na mesa a necessidade de ajustes e reformas.
Para além desse tom agregado, uma coisa muito específica ficou marcada para a história no caso da campanha petista: um personagem que, talvez apenas pela imagem, você consiga lembrar exatamente qual foi a função cumprida.

Caso você não esteja se lembrando – ou não conheça -, esse aqui foi o Pessimildo: um personagem criado pela campanha de Dilma para caçoar de quem dizia que as coisas precisavam de ajustes. Era basicamente aquela pessoa que, diante de números positivos na economia, apenas dizia coisas como “o que está indo bem em breve piorará”.
Pessimildo e seus diversos vídeos – diversos ainda disponíveis no YouTube – formam o coração da grande tese daquela campanha a reeleição: “não precisa mudar nada e quem diz isso está mentindo pra você”.
“Mas talvez a gente precise de ajuste sim!”
Reeleita em uma eleição apertada, Dilma logo de início mudou o discurso e passou a apontar que, sim, ajustes seriam necessários. E para essa missão árdua, principalmente após fazer troça com quem dizia que isso seria necessário, um personagem foi chamado para a mesa.

Você pode encontrar muitas definições sobre ele, mas o que motivou aquela chamada naquele período foi ele ter ficado conhecido por uma gestão fiscal austera quando foi Secretário da Fazenda no Rio de Janeiro, na gestão do governador Sérgio Cabral (2007-2010).
Para além disso, contou para o convite o chamado “fator mercado”, dado que ele era Diretor Superintendente do Bradesco até pouco antes da indicação, entre 2010 e 2014.
O nome dele basicamente apontou para uma correção de rota. Só que tinha um pequeno problema: esse ajuste não tinha nenhum respaldo da própria base do governo eleito.
Encurtando bastante a situação, após passar todo o período em que lá esteve tentando propor alternativas de corte e sendo bombardeado até mesmo por membros do próprio governo, ele não chegou a completar um ano no cargo: foi demitido em dezembro de 2015, quando foi substituído por Nelson Barbosa.
Pedro Malan ensinou, será que alguém vai se lembrar?
Falamos de uma volta ao passado mirando a reeleição de Dilma, mas é possível voltar nessa mesma discussão a outro ponto que é muito importante, que é uma sabedoria colocada na mesa por Pedro Malan.

Para além de ter sido Presidente do Banco Central no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso e Ministro da Fazenda no segundo mandato deste mesmo mandatário, onde participou de eventos tão relevantes quanto a negociação da dívida externa com o FMI, ele também deixou uma contribuição brilhante e didática sobre a vida de quem passa por governos.
Esse relato está dividido em dois episódios, do podcast do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças. Em 2021 produziram 30 episódios com personagens relevantes da história da política econômica brasileira e os dois que encerram a série são justamente com Pedro Malan.

Os pontos de reflexão ali trazidos são diversos, mas há um em específico que chama atenção quando o assunto é “quem será o próximo Ministro da Fazenda”: ao ser perguntado sobre qual o maior aprendizado dos anos de governo, Malan aponta que é sempre importante lembrar que quem segura a caneta do poder é quem efetivamente toma as decisões e, em virtude disso, mesmo o melhor dos técnicos colocado no Ministério não consegue avançar pautas se não contar com esse apoio.
Levando tudo isso em conta, cabe a nós colocar na mesa essa segunda derivada neste momento: para além do nome a ser escolhido para o Ministério da Fazenda de Lula IV, qual será a real chance desse nome, quem quer que seja, promover algum tipo de ajuste na trajetória dos gastos?
Ou, mais diretamente, vale repetir a pergunta do título: quem topará ser o Levy de Lula IV?







