Até onde vai a taxa de desemprego no Brasil

Brasil, Brasília, DF. 03/03/2004. Manifestantes mostram carteira de trabalho durante manifestação dos funcionários de bingos, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, pedindo a reabertura das casas de bingo no Brasil, após assinatura de medida provisória proibindo o jogo no Pais. - Crédito:JOEDSON ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:107754

Uma das relações mais famosas em economia é a chamada Lei de Okun, que mede a relação entre a taxa de variação do PIB real e a variação do desemprego em um país. Ou seja, quanto cai o desemprego quando o PIB cresce ou quanto sobre o desemprego quando o PIB se retrai.

A relação se aplica ao curto prazo, justamente porque numa queda da atividade econômica as empresas cortam a produção e demitem os trabalhadores e numa subida da atividade as empresas ocupam suas capacidades ociosas com mais trabalhadores, o que altera a taxa de desemprego durante o ano, respondendo às flutuações econômicas.

Para o longo prazo, o que vale para o crescimento econômico são outros fatores, mas não vamos nos alongar aqui.

A Lei de Okun não indica causalidade, ou seja não sabemos quem vem primeiro, o ovo ou a galinha. Se é porque o desemprego está caindo que a economia cresce ou se é porque a economia cresce que o desemprego está caindo. Para os mais antigos, o famoso efeito Tostines.

E como o Brasil é um país onde poucas leis são seguidas, fomos verificar se pelo menos a Lei de Okun ainda é respeitada por essas bandas ou se não foi revogada por algum decreto. O gráfico abaixo mostra a Lei de Okun para o Brasil. Cada ponto no gráfico indica um ano observado em que medimos no eixo vertical a taxa de variação do PIB real (os famosos -3,8% que vimos para 2015) e no eixo horizontal temos a diferença entre o desemprego de um ano e do ano anterior.

O único problema aqui: dada a mudança de metodologia no cálculo do desemprego em 2002, temos somente os dados para 14 anos. Mas utilizando os dados trimestrais, a relação se sustenta, fique tranquilo!

Fonte: Banco Central do Brasil e IBGE. Elaboração própria.
Fonte: Banco Central do Brasil e IBGE. Elaboração própria.

 

Conforme vemos, pelo menos essa lei é respeitada no Brasil. Quando a variação do desemprego é baixa ou negativa (ou seja, o desemprego de um ano é próximo ou menor que do ano anterior), o PIB real cresce – ou quando o PIB real cresce o desemprego é estável ou cai (Tostines, Tostines, Tostines)!

Com essa relação valendo para o curto prazo, podemos chutar até onde pode subir o desemprego no Brasil em 2016, pelo menos.

Segundo a Lei de Okun calculada para o Brasil (novamente com muito cuidado, dado o número baixo de observações), se em um ano o PIB real crescer 1%, a taxa de desemprego cai 1,5%. Reciprocamente, se o PIB real cai 1%, o desemprego sobe 1,5% (na verdade, sobe 1,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior).

Então, com a nossa recessão de 2016 contratada na casa dos 3%-4%, se continuarmos seguindo a Lei de Okun o desemprego em 2016 pode ir para a casa dos 9,5%-10% (medido pela PME). Que é número parecido com o que muitos analistas indicam para o ano vigente.

Fonte: IBGE. Elaboração própria.
Fonte: IBGE. Elaboração própria.

Na prática, isso significa voltar à taxa de desemprego de 2005. Triste, mas como andam dizendo por ai: a lei vale para todos!

palhuca

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Sobre Leonardo Palhuca 103 Artigos
Doutorando em Economia pela Albert-Ludwigs-Universität Freiburg. Interessado em macroeconomia - política monetária e política fiscal - e no buraco negro das instituições.

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