O que está acontecendo no Brasil?

Essa pergunta vem me incomodando nos últimos tempos. Todo mundo só fala nisso. Poderia escrever sobre assuntos estritamente econômicos: inflação resistente, risco de rebaixamento do rating soberano, juros à moda antiga – na casa dos dois dígitos, desvalorização do real, gastos públicos desenfreados, etc. Contudo, o que me preocupa com maior intensidade é o fator social do que estamos vivendo.

Se o momento atual definitivamente não é bom, o futuro apresenta um cenário no mínimo desafiador. O trânsito inferniza a vida dos moradores das grandes cidades. Quando dependemos do transporte público, ficamos satisfeitos caso a operação esteja em seu estado “normal”, apesar de não desfrutar de qualquer conforto nas viagens, sejam elas nos trilhos ou nas ruas. Os nossos caminhos de ida e de volta são escuros e o cuidado deve ser redobrado, no carro ou à pé. A violência urbana torna-se cotidiana e os casos são quase ridicularizados na mídia todos os dias.

Outro fator chave é a paciência do cidadão, que parece ter se esgotado. O metrô para no meio do caminho e é depredado. Há o início da cobrança pelo estacionamento da CEAGESP e as cabines são completamente destruídas pelos manifestantes. A copa está chegando, e os protestos contra a sua realização se multiplicam pelo país. Será mesmo que o objetivo desses protestos/reivindicações está claro ou há algum pano de fundo?

Os cortes de energia tornam-se cada vez mais comuns. Se antes era quase certeza que na primeira gota ou vendaval a luz ia embora, agora com o céu limpo e sem nuvens ficamos na dúvida também. Ameaças de racionamento de água em SP aproximam-se da realidade dia após dia. Antigos problemas – que já poderiam ter sido superados – voltam com força.

Fico pensado em tudo isso e reflito se não estou exagerando. O que aconteceu nesse meio tempo? Onde está o Brasil que o mundo inteiro via a menos de cinco anos atrás? Teríamos perdido a oportunidade de ouro para nos desenvolvermos plenamente como nação?

Acho que já passei da hora. Afinal, nuvens negras vêm por aí e não posso arriscar de ficar preso aqui. Afinal, somos realistas, não é mesmo?

Arthur Solow

Economista nato da Escola de Economia de São Paulo da FGV. Parente distante - diz ele - do prêmio Nobel de Economia Robert Solow, que, segundo rumores, utilizava um nome artístico haja vista a complexidade do sobrenome. Pós graduado na FGV em Business Analytics e Big Data, pois, afinal, a verdade encontra-se nos dados. Fez de tudo um pouco: foi analista de crédito e carteiras para FIDCs; depois trabalhou com planejamento estratégico e análise de dados; em seguida uma experiência em assessoria política na ALESP e atualmente é especialista em Educação Financeira em uma fintech. E no meio do caminho ainda arrumou tempo para fundar o Terraço Econômico em 2014 =)

2 Comentários

  1. Arthur, o retrato de hoje é o mesmo do passado só que com o diferencial de estar sendo vivido por uma nova geração…quero dizer: nossos pais, que passaram por outras situações muito mais complicadas, ao meu ver, como a Ditadura Militar e o longo período de hiperinflação, parecem estar muito mais “acostumados” e “acomodados” à situação atual! Já nós, “geração X”, “Y” ou “Z” como nos classificam, estamos passando pela primeira onda de novos acontecimentos, e, por isso tanto ficamos pensando e cobrando o porquê do nosso “país das oportunidades” ainda não ter tomado o caminho do roça…de fato, acho que precisamos deste período de transição impulsionado por este sentimento de mudança que temos, contrariamente ao que a parte senil da população brasileira acredita, infelizmente por talvez já estarem desacreditados! continuo no otimismo de que algo será mudado, a começar pelo resultado das urnas…mas só o tempo nos dirá…
    Obs.: muito bom o artigo! parabéns pela iniciativa! Abs

    1. Caro Ricardo.
      Sua análise está perfeita. De fato, as manifestações de junho foram organizadas pelos mais jovens, a geração Y. Há duvidas, no entanto, se esse sentimento refletirá nos resultados das urnas em outubro de 2014! Participe sempre!
      Grande abraço!

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