O Terraço te ajudando a estudar na gringa – SELEÇÃO

Selecionar programas é uma das tarefas mais complicadas do processo de application. Me lembro que, quando estávamos montando a lista de universidades, eu e Fernanda fazíamos mudanças periódicas nas nossas respectivas tabelas. Isso porque, dada a grande quantidade de informações nos sites dos programas, você pode deixar alguma coisa interessante passar e acabar deixando de aplicar para um bom centro.

Assim sendo, tenha uma tabela bem organizada com o nome da universidade para onde gostaria de ir e características que a tornam interessante: classificação em rankings internacionais, placements, professores que têm uma agenda de pesquisa semelhante à sua, etc. Isso vai ajudar bastante a diferenciar um programa do outro. Além do mais, é sempre válido  olhar novamente os sites dos programas que você descartou, já que, como foi dito acima, você pode deixar algo passar. Vou tentar comentar um pouco sobre os principais indicadores que utilizamos para selecionar os nossos centros, mas lembre-se de que esse foi o nosso método de seleção e isso está longe de significar que este seja o melhor. Encontre aquele que funcione para você! 

O primeiro indicador é a posição da instituição nos rankings internacionais. Há, pelo menos, dois rankings que você deve consultar: IDEAS/RePEc e Tilburg. Cada um tem a sua metodologia, benefícios e limitações, mas os dois podem te dar uma ideia de quais são os melhores departamentos de economia do mundo. Isso dará uma ideia também do que é o top 5, top 10, top 20, etc. O segundo indicador é o placement, que nada mais é do que uma informação referente ao destino dos alunos formados em uma instituição. Ter esse dado em mãos na hora do application é importante, dado que você pode saber se o centro para onde você quer aplicar está enviando mais alunos para universidades no topo dos rankings internacionais, setor privado, organismos multilaterais, governo, ou para pós-doc. 

O terceiro indicador é o corpo docente da instituição. Digamos que você seja um cara que gosta de estudar macro, mas passou para um departamento onde a maior parte dos professores está estudando sobre temas ligados à avaliação de políticas públicas. Tal fato pode ser um problema, pois dificilmente você encontrará alguém para te orientar em um tema ligado à macro. Pode acontecer também de você aplicar para um centro, porque tem uma pesquisadora incrível lá e que tem uma agenda de pesquisa parecida com a sua. Ao passar para o programa, você descobre que ela foi contratada por outra instituição.

Estes foram apenas dois exemplos para mostrar como é necessário olhar atentamente para o quadro de professores de cada centro, assim como para as suas respectivas agendas de pesquisa. Às vezes, as universidades já facilitam e organizam o quadro de professores de acordo com as especialidades de cada um. Contudo, isso nem sempre acontece e você terá que olhar a página pessoal de cada um deles. Nela, inclusive, há várias informações relevantes: artigos publicados, temas em aberto, apresentações em congressos, CV, etc.

Um quarto indicador é a disponibilidade de bolsas, o que é extremamente relevante. Nem sempre as universidades poderão dar bolsa para todos os alunos admitidos, especialmente no primeiro ano. O funding, inclusive, pode ser em forma de trabalho (tutoria e/ou assistência de pesquisa), ou apenas um pagamento direto, ou também um montante suficiente para cobrir o tuition. Com isso, observe bem a disponibilidade de bolsas, porque nada garante que elas estarão disponíveis. Por fim, o quarto indicador consiste em analisar o peso das suas cartas na instituição para onde você está aplicando. Caso o professor que está te indicando tenha indicado alguém no passado que foi aceito no programa, isso já é um bom sinal de que sua carta será conhecida pelos membros do comitê. Outro ponto relevante é saber se quem está te indicando conhece ou já trabalhou com alguém do departamento para onde você quer ir. Novamente, isso irá aumentar as chances da sua carta ser conhecida naquele local.

No final, todos esses indicadores servem para que o match entre você e o programa seja o melhor possível. É bastante comum, porém, que alunos mudem de área. Alguém que começou gostando de macro pode acabar seguindo para micro e vice versa. Dentro destas áreas, inclusive, mudanças podem ocorrer, dado que alguém que se interessa por organização industrial pode acabar gostando de economia do meio ambiente.

Com isso, o ideal é tentar ir para departamentos onde os pesquisadores estejam tocando agendas de pesquisa diversas. Isso funcionará como um seguro, caso você queira mudar de área. Contudo, muitos departamentos são especializados em um determinado tema ou área, de maneira que quanto mais alto nos rankings o centro se encontra, maior será a diversificação de agendas de pesquisa.

Mateus Maciel

É doutorando em economia da Universidade de Frankfurt 

 

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