Investimento por fatores: a evolução do CAPM

Para além do debate teórico e prático do mercado, vamos falar de factor investing, um tipo de estratégia que com mais de USD 1.9 tri no mundo todo.

Para além do debate teórico e prático do mercado, vamos falar de factor investing, um tipo de estratégia que com mais de USD 1.9 tri no mundo todo. Vale reforçar que essa metodologia é fruto de anos de pesquisa na academia e nasceu da necessidade prática, de estudiosos e investidores profissionais, em explicar qual a origem dos retornos de portfólios, especialmente de ações.

O modelo mais clássico, o CAPM, explica o retorno de uma ação por um único fator, o risco sistemático (o famoso beta), todo o retorno adicional cairá sobre o alfa. O tão sonhado alfa seria o retorno adicional não explicado pelo beta.

Ri−Rf= α + β(RM−Rf)+e

 

Essa teoria se tornou obsoleta quando Eugene Fama e Kenneth French, em 1993, publicaram o famoso artigo formalizando a “descoberta” de mais três fatores: Market, Size e Value.

A grande conclusão foi que a combinação desses três fatores explicam muito melhor a performance das ações do que com apenas um fator. Tal descoberta rendeu um premio Nobel de Economia em 2013.

A fórmula seria:

Ri−Rf= α +(RM−Rf)+SMB+HML+e

 

Anos depois, em 2015, a dupla adicionou mais dois fatores, Investment e Profitability. A formula ganhou novos parâmetros, se tornando esse monstrinho aqui:

 

Ri−Rf= α +(RM−Rf)+ SMB+HML+RMW+CMA+e

 

Assim uma verdadeira corrida por descoberta de fatores de risco se iniciou e atualmente existe uma centenas de fatores identificados, que em última análise, nada mais são que parâmetros de uma regressão para explicar a performance de um ativo.

A união do mercado e academia. Via de regra, um fator deve fornecer um poder explicativo incremental aos retornos do portfólio e oferecer um prêmio (retornos mais altos).

Um fator, para ser fator, deve ser:i) Persistente: ele se mantém por longos períodos de tempo e diferentes regimes econômicos.

ii) Difundido: válido para países, regiões, setores e até classes de ativos.
iii) Robusto: válido para várias definições e testes.
iv) Investível: mantém-se não apenas no papel, mas também após considerar questões reais de implementação, como custos de negociação.
v) Intuitivo: existem explicações lógicas baseadas em risco ou comportamentais para seu prêmio e por que ele deve continuar a existir.

 

Assim, hoje em dia temos uma lista infinita de fatores de risco, como Value, Low Size, Low Volatility, Low Beta, High Yield, Quality, Dividend Yield, Carry, Market Imbalance, Term Premia, Short Interest, Leverage, Revision, Momentum e vários outros..

Atualmente, existem um série de ETFs que replicam esses fatores, com alta liquidez, baixo custo e fluxo de capitais enorme. O que aconteceu no inicio do mês de setembro, que se chamou de “a grande rotação” foi uma migração gigantesca de ETFs de “Momentum” em detrimento ao vetor de “Valor”.

A capacidade de otimizar portfolios e asset allocation por esse veículos é enorme. Uma alocação inteligente em fatores pode ser usada nos ciclos econômicos, para identificar os melhores para cada fase. O desafio é implementar no Brasil, dado as restrições do mercado algumas casa já implementam, como a BlackRock, Itaú e a Canvas (dos que eu conheço).

Thread Original no Twitter: https://twitter.com/PedrooLula/status/1177328090940366849

Pedro Lula Mota

Economista pela UNICAMP, como passagem pela Universidade do Porto - Portugal. Admirador da arte da fotografia, principalmente de lugares extremos e excêntricos.

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